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O “Parasita” de Hollywood

No domingo de Fevereiro, dia 9, a premiação do Oscar aconteceu e foi um prato cheio para a inclusão e representatividade. Isso porque o filme “Parasita”, filme inteiro gravado na Coreia do Sul com atores nativos, ganhou 4 de 6 indicações dentro das categorias.

“Parasita” ganhou como Melhor Filme, Melhor Direção, Roteiro Original e Melhor Filme Internacional. Em 92 edições do Oscar, apenas 11 outros filmes de língua estrangeira foram indicados a melhor filme. Nenhum deles era Sul Coreano. E nenhum deles tinha conseguido a estatueta, até Bong Joon-ho chegar.

No Oscar 2020, o diretor conseguiu desbancar grandes nomes como Quentin Tarantino, com “Era Uma Vez em… Hollywood”, e Martin Scorsese, com “O Irlandês”. Este último ele citou em um seu discurso emotivo de Melhor Diretor, dando um show de humildade e respeito. Ainda, todos eles discursaram em sua língua natal na maior parte do tempo, sendo acompanhados por tradutores ao vivo, fiéis a representatividade de seu país.

“Gisaengchung”, como é pronunciado o nome original do filme, possui uma trama inteligente e com críticas sutis. Ele fala de coisas sérias, mas com um formato leve de entretenimento. Em uma cultura da sétima arte onde predominam os filmes estadunidenses e em inglês, “Parasita” conseguiu abrir novos caminhos para produções estrangeiras.

Os dois lados da moeda

O filme “Parasita” ganhou 4 estatuetas do Oscar de 6 nominações (Foto: Reprodução)

A crítica social tem sido um tema predominante aos vencedores de melhor filme do Oscar. E “Parasita” o fez com excelência. Isso porque o filme tem o seu centro na desigualdade social, que existe em qualquer lugar, de qualquer país, se tornando uma obra de fácil relatividade.

A trama conta as dificuldades de uma família extremamente pobre da Coreia do Sul. A família Kim vive em uma casa pequena e apertada, e tem que sobreviver pelo pagamento de dobraduras de caixa de pizza. O filme desenrola quando eles começam a arranjar seus jeitos, as vezes até questionáveis, para se aproximar e sobreviver junto da família Park, que vive em uma mansão.

O contraste entre os modos de vida é evidenciado em críticas, e o no final, fica a reflexão: “quem na verdade é parasita de quem?”. Ele também é inteligente enquanto ao formato: transita entre diversos gêneros, como a comédia, o suspense, o drama e até mesmo o terror.

Ultrapassando limites

O filme também conseguiu grandes conquistas para o cinema internacional e a cultura coreana quando venceu o Globo de Ouro de “melhor filme em língua estrangeira”, e a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França, ambas premiações inéditas para filmes coreanos.

Bong Joon-ho também dirigiu filmes como “O hospedeiro”, em 2006, e outras produções que ganharam o público internacionalmente, como o suspense “Expresso do amanhã” (2013) e o filme de aventura “Okja” (2017), produzido pela Netflix.

Em um de seus discursos, Joon-ho fez uma reflexão: “Uma vez que vocês superarem essa barreira de um centímetro de altura, as legendas, vocês vão descobrir tantos filmes excelentes”. E completa: “Eu acho que usamos apenas uma linguagem: o cinema”.

— por Julia Cortezia, Canal da Ilha

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